🎯 Cases reais worked-through
Três situações reais que você (ou alguém que conhece) já viveu. Pra cada uma: o cenário com restrição honesta, a primeira tentativa que falhou, por que falhou, o prompt final que funciona, o output esperado, variações testadas e o tempo economizado.
⚠ Não pule a "tentativa que falhou". O valor desse módulo está em entender por que o prompt ruim é ruim. Decorar o prompt bom sem entender o erro = você reproduz o erro em todo prompt seu daqui pra frente.
📧 Responder reclamação espinhosa de cliente
Cenário
Maria trabalha no atendimento de uma loja de móveis online. Cliente comprou um guarda-roupa há 40 dias, prazo de entrega era 30. Cliente mandou e-mail às 23h ontem:
"Vocês me venderam um produto fantasma. 40 dias e nada. Já comprei outro em outro lugar. Quero meu dinheiro de volta AGORA ou vou pra reclame aqui, Procon, e processar."
Restrições reais: a loja não pode cancelar o pedido (já saiu da fábrica, chega em 5 dias). Política da empresa: oferece 15% de desconto + frete grátis em compra futura. Maria tem 30 min antes da próxima call e é o primeiro dia dela respondendo VIP.
❌ Primeira tentativa (o que NÃO funciona)
O que Claude devolveu: um e-mail genérico "lamento o ocorrido, entendo sua frustração, peço desculpas em nome da empresa" — sem oferta concreta, sem informação útil, sem tom que cliente espera de uma marca cuidadosa. O cliente responderia "lero-lero" e a coisa escalaria.
Por que falhou: 4 problemas comuns do N1:
- • Não disse quem Claude deve ser (papel) — Claude virou ChatGPT corporativo padrão
- • Não passou contexto da restrição (não pode cancelar, oferta possível) — Claude inventa o que não pode
- • Não pediu formato (e-mail formal? WhatsApp? telefone?) — saída genérica que serve pra tudo e nada
- • Não definiu tom — saiu o tom "robô empático", o pior dos dois mundos
✅ Prompt final que funciona
📤 Output esperado (exemplo real)
Sra. Maria,
Você está certa em estar irritada. Trinta dias era o prazo, hoje são quarenta, e nenhuma justificativa que eu der apaga isso.
O que posso te dar agora é informação concreta: o produto saiu da fábrica ontem (rastreio BR123456) e chega ao seu endereço entre 17 e 19 de maio. Nessa fase não consigo cancelar a remessa — o item já está em rota.
Pelo atraso, deixo registrado em sua conta um voucher de 15% + frete grátis pra qualquer compra nos próximos 90 dias. Você usa só se quiser.
Quero te ligar amanhã às 14h pra confirmar que está tudo ok. Se preferir outro horário ou outro canal, me responde aqui e eu adapto.
Maria Silva
Atendimento [Loja]
Esse é o tipo de resposta que não escala a situação. Cliente sente que foi tratado como adulto, recebeu informação nova, e tem um próximo passo claro.
🔀 4 variações que testamos
⚠ Erros comuns ao adaptar pro seu contexto
- • Omitir a restrição real do negócio (o que VOCÊ pode oferecer) — Claude inventa políticas ou promete o que você não tem.
- • Esquecer "não use estas palavras" — "lamentamos", "infelizmente" voltam imediatamente. Vetar explicitamente cada uma.
- • Não dar o próximo passo concreto (data, horário, ação) — sem isso, cliente fica "ok, e agora?" e a coisa se arrasta.
- • Tratar cliente como criança ("compreendemos sua frustração") — adulto reconhece adulto. Tom direto é mais respeitoso.
📊 Métricas reais
💡 Preparar reunião de "ideias novas" amanhã 9h
Cenário
Carlos é gerente de produto de uma fintech B2B (gestão de comissão pra times de venda). Diretor mandou ontem 18h: "amanhã 9h, traz 5 ideias pra aumentar retenção de clientes pagantes na faixa de R$ 500-2000/mês. Mostra ROI estimado."
Restrições reais: Carlos tem 1h disponível hoje à noite (filhos dormem 22h). Está cansado, criatividade no chão. Tem que entregar 5 ideias diferentes entre si (não 5 variações da mesma) e cada uma com defesa quantitativa básica.
❌ Primeira tentativa
O que Claude devolveu: "1. Programa de fidelidade 2. NPS recorrente 3. Customer Success dedicado 4. Onboarding melhor 5. Reuniões trimestrais". Genérico, sem dimensionamento, indistinguível de qualquer slide do LinkedIn.
Por que falhou: faltou tudo. Sem contexto do produto (fintech B2B comissão), sem segmento (R$ 500-2k/mês), sem critério de diferença ("ideias diferentes", não variações), sem requisito de ROI estimado.
✅ Prompt final que funciona
📤 Trecho do output (1 das 5 ideias)
Ideia 3 — "Conector nativo com os 3 CRMs mais usados"
Categoria: Integração
Por que ataca: 38% do churn da faixa R$ 500 cita "trocamos de CRM" como causa. Se a integração for nativa (e não via Zapier que quebra), trocar de CRM deixa de ser razão pra trocar de fintech.
Impacto estimado: -1.5pp no churn mensal (premissa: 50% dos 38% que citam CRM ficariam se integração fosse plug-and-play; conservador).
Custo: R$ 60k (2 devs sênior × 6 semanas). Custo recorrente: ~R$ 5k/mês de manutenção.
Risco principal: CRMs mudam API de forma quebrável. Mitigar com testes de regressão automatizados e SLA com fornecedor.
Carlos chega na reunião com 5 dessas. Não é "ideias genéricas" — é proposta defensável.
🔀 Variações testadas
⚠ Erros ao adaptar
- • Esquecer o "veto de clichês" — "Programa de fidelidade", "NPS", "CSM dedicado" voltam sempre. Vete explicitamente.
- • Pedir "ideias diferentes" sem categorizar — sem categorias explícitas, Claude entrega 5 variações da mesma família.
- • Não exigir premissa numérica — sem isso vira chute. "Premissa explícita" força raciocínio.
- • Pedir só ideias, sem ranking — sem ranking você chega na reunião com 5 alternativas e nenhuma defesa. Boss espera escolha.
📊 Métricas
📚 Estudar capítulo denso pra prova/concurso
Cenário
Ana estuda pra concurso de fiscal estadual. Tem 30 dias até a prova. Faltam 7 capítulos do livro de Direito Tributário pra revisar. Cada capítulo tem ~50 páginas. Ana não tem mais 50 páginas × 7 capítulos × 2 leituras de tempo.
Restrições reais: Ana precisa memorizar, não só entender. A banca cobra letra-de-lei (artigos específicos), distinções entre conceitos parecidos (decadência vs prescrição, taxa vs preço público), e pegadinhas em "exceto", "salvo", "somente".
❌ Primeira tentativa
O que Claude devolveu: um resumo bonito de 1 página explicando os conceitos principais. Bom pra entender. Péssimo pra passar. Não cobre artigos, não força memorização, não cria pegadinhas.
Por que falhou: Ana pediu o output errado. "Resumo" é o output certo pra entender. Pra memorizar e responder banca, o output certo é "flashcards + questões inéditas + tabela comparativa + lista de pegadinhas".
✅ Prompt final (estudo ativo)
📤 Trecho do output (1 dos 15 flashcards + 1 das 10 questões)
Flashcard 7 / 15
Frente: A obrigação tributária principal surge em qual momento?
Verso: Com a ocorrência do fato gerador (Art. 113, §1º, CTN). Distinguir de "obrigação acessória" que surge da legislação tributária (§2º) — não do fato gerador em si.
Questão 4 / 10 (FCC-style)
A imunidade tributária recíproca prevista no art. 150, VI, "a" da CF/88 NÃO se aplica:
A) ao patrimônio da União, Estados e Municípios entre si
B) às autarquias e fundações instituídas pelo Poder Público quanto ao patrimônio vinculado às finalidades essenciais
C) ao patrimônio relacionado à exploração de atividade econômica regida por normas de direito privado
D) aos templos de qualquer culto
E) à dívida ativa decorrente de tributos
Gabarito: C. Comentário: o §3º do art. 150 expressamente afasta a imunidade quando o ente público explora atividade econômica em regime privado (concorrência) — a banca adora cobrar esse §3º. As outras: A é o caput, B é o §2º (incluído), D é a alínea "b" (imunidade religiosa, outro inciso), E não existe na CF — pegadinha.
🔀 Variações testadas
⚠ Erros ao adaptar
- • Pedir "resumo" sem especificar uso — entender ≠ memorizar ≠ responder prova. Cada objetivo pede output diferente.
- • Não vetar invenção de jurisprudência — Claude inventa STF/STJ com nome que parece verdadeiro. Sempre dizer "se não tem certeza, diga; não invente".
- • Esquecer de pedir gabarito comentado — questão sem comentário você decora resposta sem entender erro.
- • Não especificar banca — FCC, CESPE, FGV, IBFC têm "personalidades" diferentes. Cada uma cobra de jeito específico.
📊 Métricas
🧠 O padrão por trás dos 3 cases
Reparou que os 3 prompts finais seguem a mesma anatomia? Não é coincidência. É a estrutura que Claude precisa pra entregar valor real no N1, em qualquer área:
- 1. Papel específico — não "aja como assistente", mas "aja como diretor de Product Growth de fintech B2B". O nicho informa o tom, o vocabulário, o que ele recusa.
- 2. Contexto com restrições reais — o que você PODE e NÃO PODE oferecer. Sem isso, Claude inventa.
- 3. Tarefa decomposta em estrutura obrigatória — "1. faça X. 2. faça Y. 3. faça Z." Lista numerada > "faça um e-mail bom".
- 4. Vetos explícitos — "não use estas palavras", "não invente jurisprudência", "não use estas ideias clichês".
- 5. Próximo passo / formato de saída — exatamente como Claude deve entregar. Tabela? E-mail? Bullets? Quantos itens?
Decora esses 5 e você sai do N1 com 60% do valor desbloqueado. Decora os prompts dos cases sem entender essa estrutura, e quando o contexto mudar você reproduz prompts ruins.
🎓 Resumo do Módulo
Próximo Módulo:
1.4 — Walkthrough cinematográfico: a jornada completa de um trabalho real, do zero ao entregue.